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Pesquisa demonstra que modelo de Educação está errado
20/12/2009 » Fonte: Vide Versus

Ibope aponta que somente 15% dos brasileiros com ensino fundamental são alfabetizados

Mais da metade dos brasileiros de 15 a 64 anos que cursaram até a 4ª série do ensino fundamental são, no máximo, alfabetizados em um grau rudimentar. Esse grau corresponde à capacidade de identificar textos curtos como os de anúncios, manusear dinheiro e usar uma fita métrica.

Pelo menos 10% deles são completamente analfabetos. A conclusão é do Indicador de Alfabetismo Funcional, pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro (ONG ligada ao Ibope) e Ação Educativa, divulgada nesta quarta-feira. A pesquisa mostra também que dentre os que têm escolaridade de 5ª a 8ª série, apenas 15% podem ser considerados totalmente alfabetizados, índice que aumenta para o máximo de 68% no nível superior. Ou seja, mais de um terço dos brasileiros que cursam ou cursaram um curso universitário não são totalmente alfabetizados. Segundo a pesquisa, o índice esperado é de 100% já no nível médio.
http://www.videversus.com.br/index.asp?SECAO=81&SUBSECAO=0&EDITORIA=20969

Comentário Federalista

Educação é um dos motes políticos mais usados em todas as campanhas. Um candidato até pensou que se elegeria somente com isso. Mas falar em educação em um País com graves disfunções que levam a falta de informação, ou que mantém uma população quase que inteira presa à opinião dos telejornais termina por se perder na vala comum em que são jogados outros motes: saúde e segurança.

A pesquisa, que se refere sempre a amostragens, demonstra que o analfabetismo funcional é muito maior quando se percebe o que ocorre na oferta de vagas para trabalho, o baixo índice de compreensão até mesmo do que está em jogo. Isso não significa dizer que as pessoas que estão nesse segmento sejam burras. Não são, mas a capacidade de cognição é bastante baixa. Contudo, pode-se observar milagres quando muitas delas são oportunizadas no ensino técnico.

Sim, não mencionamos o ensino médio, nem muito menos o universitário, pois o foco que deveria estar sendo seguido para que se oportunize o preparo técnico de cada vez mais gente é o ensino técnico. Isso é ser prático. As pessoas precisam sobreviver, ou melhor, viver dignamente, e para tanto, precisam aprender profissões que o mercado exige. Coloque um anúncio oferecendo vagas para técnicos em alguma das múltiplas áreas trazidas pela revolução tecnológica que chegou ao Brasil, por meio de empresas do mundo inteiro, e você terá problemas.  E, pior, os sistemas de RH de muitas empresas ainda privilegia o diploma ao invés da experiência e conhecimento. Sem dúvida, uma luta desigual em todos os sentidos, por múltiplos erros de foco, seja dos governos que implantaram, de cima para baixo, de Brasília para todos, seja das empresas, que seguem modismos administrativos ao invés de seguir o bom senso – com as honrosas exceções de sempre.

A educação deve começar no município e sem interferência ou tecnicismos pedagógicos de Brasília. A educação começa quando a criança nasce, com valores humanos relacionados aos princípios que formam o caráter e a integridade e todos os demais como os da família, do sentido e respeito à Liberdade, cercadas de muito afeto, pois somos construções emocionais. Sem isso, na base, pouco poderá ser feito, mesmo com formação técnica e até universitária. As tristezas humanas de gente que deveria ter sucesso estão aí para provar.

Essa educação, que ensinará também a leitura e a compreensão, pode e deve ser feita pelas comunidades, como sempre foi. E quando se pensa em grandes cidades, que se dividam em núcleos ou células, encontrem-se soluções descentralizantes com apoio da municipalidade e, se for necessário, do estado federado. O Governo Central não tem que se meter nesse assunto, exceto para regrar os símbolos nacionais, a Geografia e a História Oficial, mas em parte, não no todo, pois tudo se tornou muito dinâmico em um mundo cada vez mais ágil na troca de informação.

A tecnologia, computadores e internet, juntamente com as dezenas de aparelhos eletrônicos de toda sorte fazem o resto para a inserção dos novos seres humanos na nova Sociedade que vai se construindo.

Finalmente, é preciso ainda lembrar que sem atividade econômica nada disso funciona. Dizem que em Cuba, não existe analfabetismo e que todos têm faculdade. Para quê? Para ler o Granma –órgão oficial do Governo central de Fidel Castro – ou para, com seu diploma de médica, prostituir-se nas ruas de Havana? As ações humanas são sistêmicas e produzem resultados extraordinários quando são livres, tendo o Estado apenas como garantidor dos contratos e dos espaços de liberdade de cada indivíduo.

Essa realidade pode ser conquistada no Brasil com o Federalismo pleno das autonomias estaduais e municipais, pois ficou claro que o mandonismo preconizado pelo modelo centralizador não funcionou, a tal "universalização do ensino" gerou apenas estatísticas em salas de aula e merenda escolar. Chega de Brasilia dizer como educar nossos filhos.

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