Carta Mensal: A desunião do Brasil
Postado em 01/2010
A DESUNIÃO DO BRASIL
Por vezes deixo para o final do mês a carta mensal, porque acredito que toda escrita e toda fala deva ter uma boa razão. Certamente existem muitos assuntos para serem abordados, isso não falta em um País que vive de escândalos e incríveis contradições. Mas não quero repetir o que se faz tanto por aí, temos que tratar de soluções.
E muita gente procura solução para o Brasil. Muita gente bem intencionada. O problema que observo é a inexistência de um sentido de união quando se trata de construir uma frente capaz de, no mínimo, abalar as estruturas que julgamos serem contrárias ao bom senso, ao senso comum e à lógica da vida. Dias atrás, noticiou-se que estariam em processo de formação cerca de 31 partidos, sem que se contasse o nosso Partido Federalista, que não foi citado na reportagem. Tenho certeza de que a maioria está sendo feita por pessoas com boas intenções, e alguns apenas como mais um espaço político para políticos sem espaço. Ou, como objetos de negociatas. A legislação eleitoral no Brasil, atrasada e tacanha, completamente errada e tendenciosa, é que possibilita isso.
As pessoas agem dentro de seus interesses, isso é absolutamente natural. Cabe ao Estado direcionar esses interesses de maneira que o processo de interdependência social seja o mais equilibrado possível, evitando distorções. Infelizmente o Brasil está bem longe disso e vivemos em um ambiente em que os interesses gravitam sob as mais diversas formas, seja por poder, por dinheiro, por vaidade, e até mesmo por idealismo, independentemente da ideologia professada. Vivemos sob a síndrome do individualismo no qual é “cada um por si e o resto que se dane”, sem se perceber que o melhor para todos é o principio da individualidade, que vive em coletividade em perfeita interdependência. O indivíduo que vive com respeito à sua própria individualidade vê mais adiante, entende que o que afeta o outro, afetará a si próprio, entende que esperar para ver como vai ficar, não resolve, apenas aumenta o problema.
É atribuída a Tancredo Neves a frase “não se dispersem” pouco antes de morrer. Pouco importa se isso é verdade, mas a frase é verdadeira no seu sentido. As dificuldades que temos para fazer o Partido Federalista se explicam, talvez, exatamente por essa dispersão. Pela desunião dos brasileiros. Não por falta de propósito, mas por falta de paciência, determinação e visão de futuro. O imediatismo faz com que projetos nasçam e morram em alta velocidade. Talvez isso não seja um defeito exclusivo de brasileiros, diante da frase da grande bailarina russa Ana Pavlova (1885-1931): “Terminar aquilo que você começou. Isso parece impossível para a quase totalidade das pessoas.”
Fico imaginando se todas essas pessoas se reunissem em torno de um projeto, de uma frente política. Estaríamos muito à frente, seríamos fortes o suficiente para que, tudo que estamos assistindo, praticamente de forma passiva, não estivesse acontecendo. Estamos perdendo nossas liberdades, em todos os sentidos, estamos correndo riscos inimagináveis para as gerações atuais, estamos caminhando qual gado para um abate geral de nossas individualidades, controlados que seremos, sob a égide dos Direitos Humanos, em tudo, sobre nossos direitos de propriedade, de ir e vir, de expressar nossas opiniões e por aí afora. E muito dessa passividade se dá pela falta de união dos que querem fazer alguma coisa, e daqueles que querem que algo ocorra e poderiam ajudar, ainda que apenas um pouquinho. Só reclamar, denunciar, xingar, não vai adiantar mais, pois, como bem disse um político no ano passado, “a opinião pública que se lixe”. Você acha que alguém desse pessoal está realmente preocupado? Talvez alguns poucos. A desunião beneficia somente aos que estão se lixando conosco. Uma passividade indesejada. Indignação sem direção não serve para nada.
Tenho por certo de que temos que vencer essa inércia com ações simples. E podemos fazer isso. Temos a oportunidade. Temos o projeto, temos até um partido praticamente estruturado faltando tão somente o carimbo das autoridades. Mudar o Brasil é mais simples do que se pensa: seria muito complicado para você depositar uma pequena quantia, talvez dez reais mensais, para ajudar uma Causa da qual você acredita acontecer? Talvez não. Agora imagine que este boletim é dirigido para mais de 18 mil pessoas e que seja lido por apenas duas a três mil pessoas. E que estas resolvam fazer essa pequena contribuição mensal. Seriam vinte a trinta mil mensais, o que significa que poderíamos contratar pessoas para colher assinaturas em grandes capitais e levá-las para a autenticação nos respectivos cartórios zonais eleitorais. Temos pessoas dispostas a fazer isso, porque eu, você e muita gente que gosta do que estamos propondo não tem tempo para sair às ruas, temos que trabalhar pelo nosso sustento e de nossas famílias. Mas nem por isso devemos deixar fazer com o Brasil o que não concordamos, não é mesmo?
Por favor, pare e pense: apenas por tão pouco, cada um fazendo um pouco e as coisas acontecem. Se você estiver esperando por um salvador da pátria, sinto muito lhe informar, mas isso não vai ocorrer. O Projeto Federalista talvez seja o único que pode se contrapor ao projeto de poder dos que estão lá, e dos que querem chegar lá. Poder pelo poder. Pelas benesses do centralismo, cuja conta é paga por seis meses de trabalho de cada indivíduo brasileiro, seja empresário seja empregado. É justo? Seria essa uma nova forma de escravatura social? Creio que podemos mudar isso, mas certamente só coma força da união de muitos brasileiros que ainda sonham em ter uma Pátria-Nação, aquela que não extorque seu Povo, e permite que se busque a felicidade individual, respeitando o espaço alheio, sabendo que o Estado garantirá que isso seja respeitado por todos.
As eleições de 2010 estão aí e todos ficaremos diante da obrigatoriedade de votar em qualquer um, ou ainda anular o voto, apenas para legitimar uma pseudo-democracia, manipulação das oligarquias de sempre, mantendo as podres estruturas de um Estado que ainda não chegou a ser uma verdadeira Nação. É uma grave ofensa afirmar que o Povo não sabe votar, quando se sabe que não tem opção para voto. Não há outra razão para explicar a memória tão curta de quase todos em relação ao seu último voto para deputado ou vereador. E não há como condenar as pessoas a não participarem da política, se o modelo é de cartas marcadas.
Podemos mudar isso, apenas registrando o Partido Federalista. Porque com o registro, passaremos a contar no cenário nacional. Hoje somos apenas um grupo de sonhadores com uma boa idéia, cavalo fora do páreo não recebe apostas, porque não está oficializado. Vamos colocar nosso cavalo no páreo e vencer? Ao registrar o Partido Federalista, não será apenas esperar 2012, mas começar a atuar desde já, pois oficializados seremos ouvidos. E teremos muito mais condições de rápido crescimento. Tudo por causa de carimbos e certidões, mas é a lei, e assim a cumpriremos. Com sua ajuda, mínima, ínfima – o preço de duas cervejas, ou o valor equivalente e meia pizza – poderemos fechar a pizzaria de Brasília.
Conto com você, caro leitor. Aliás, milhões de brasileiros que nem sabem de nossa existência, contam com o apoio dos que sabem.
Excelente ano para todos nós!
Saudações Federalistas!
Thomas Korontai
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